Num mundo, onde há risos forçados e flores
de falsos aromas e beijos fingidos,
e onde os valores estão invertidos,
os frutos macios têm acres sabores.
E vendem-se almas e compram-se amores,
pois, tudo, o dinheiro consegue pagar;
não raro, um canalha ocupa o lugar
de quem o conquista por merecimento.
E mesmo a justiça - por vinte por cento - tem venda nos olhos, na beira do mar.
Num mundo onde almas que produzem arte
são eclipsadas por falsos artistas.
E enquanto talentos não logram conquistas
e estrelas definham sem nome e à parte,
o doce da vida, quem parte e reparte,
não deixa a fatia maior escapar;
num mundo onde o tosco, medíocre e vulgar
impera e gargalha do belo e polido,
o justo e honrado é o mais perseguido
por ser minoria, na beira do mar.
Num mundo onde o crápula, a quem se confia
os sonhos, os rumos e a sina de um povo,
fomenta a miséria e fecunda o ovo
que gera a usura e a vil tirania,
o verbo inflamado da hipocrisia
tem voz impostada pra dissimular;
num mundo que é o colo e o berço e o lar
de toda a mentira e de toda a maldade,
o vício, a cobiça e a voracidade
jamais se saciam, na beira do mar!
(Luciano Dionísio)
1 comentários:
Aproveite essas "asas de poetas" e voe para cá e se demore um pouco, sua inspiração nos anima.
Nelson Lima
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